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30 de mai. de 2011

Velho Tempo Atual

Cuidado com a hora!
Ela te cuida.

A onde esteve?
Quando vai voltar?
Pode ser tarde...

O tempo é relativo...
Mas a vida não é!
E o tempo sabe...
O que você não será!

Cuidado com a hora!

Está ficando velho.
Sua pele se encarde.
Os dentes escurecem.

Onde esteve agora?
Cuidado!
O tempo amarela...
E não demora!

Atenção!
Cuidado com a hora!
Mas não leve tão a sério.
Ou o tempo te controla.

15 de mai. de 2011

Amizade

Quando nos deparamos com algo que nos surpreende,
Quando nos faz bem apenas estar juntos,
Quando não precisa nem se falar para se entender,
Quando a diversão está pronta,
Quando a emoção é visível,
Quando mesmo longe se quer bem,
Quando.....
Quando se tem um amigo.
Amizade é bom de mais da conta.
Na amizade não se encena, não se representa, não há fingimento.
Amizade é compromisso, cumplicidade, diversão.
Amizade é "verdade".
É tudo de bom, é melhor, é muito mais do que ser você... É ser você completo.
Que bom que é ter amizades.
Gente, por favor, tenham amizades para serem felizes de verdade.

Emoção que o jogo traz.

Emoção a flor da pele
Parece até um castigo
Quando o meu time ganha
É o teu que corre perigo.

O Grêmio é o meu timão
O Inter de meu amigo
Se o colorado ganha
A tristeza fica comigo.

Não gosto de rivalidade
Grêmio ou Inter, tanto faz
O que importa de verdade
É a emoção que o jogo traz

13 de mai. de 2011

As dores do mundo

Sinto bem fundo, todas as dores do mundo.
Só que meu poema não conseguiu tocar em feridas maiores.
Abro os jornais e leio e choro e me arrepio
com a fome,
com a guerra,
com a Aids,
com a violência,
com a destruição do verde e da vida.
Tento escrever, mas sai um poema impotente.
Fico pensando: " As dores do mundo pedem canções ou exigem ações?"

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.


Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a VIDA presente!


Carlos Drummond de Andrade

8 de mai. de 2011

.....Mas não sei como é que é....

Como faço nesta hora,
Pra esquecer desta senhora,
Que não conto por agora,
Por que longe agora está.

Não me importa a referência,
Se bonita de aparência,
Morena ou loira?
Tanto faz.

Gosto mesmo da lembrança,
De meu olhar de criança,
-Sentimento sem igual,
-Amor sobrenatural

Minha mãe sempre dizia,
Que o amor que ela sentia,
Nem com trena se media,
Talvez um dia eu sentiria
Se DEUS me desse ‘moral’

Sim, porque pra esta dádiva,
Não depende da vontade,
E isto sim é verdade,
Eis que agora sei dizer


Pra ser mãe tem que ter peito,
Ser merecedora de respeito,
Pois pra tudo ela dá jeito.

Mãe, tu és demais importante,
E eu te amo a todo instante,
E é o meu maior sentimento,
E é só seu,
Não tem jeito


Talvez se um filho eu tiver,
Vou saber como é que é,
Serei uma nova mulher

3 de mai. de 2011

Leilão de jardim


Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(Este é o meu leilão.)

Cecília Meireles
Fotografia: Eduardo Martinello

14 de abr. de 2011

Viajar pela Leitura

Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.


Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.

É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.

Experimente!

Assim sem compromisso,
você vai me entender.

Mergulhe de cabeça
na imaginação!
(Clarice Pacheco)

7 de abr. de 2011

Voo



Vejam a beleza das palavras de Cecília Meireles. Ela faz uma comparaçao perfeita entre as borboletas e as palavras...

Voo

Alheias e nossas
as palavras voam.
Bando de borboletas multicores,
as palavras voam.
Bando azul de andorinhas,
bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Voam as palavras
como águias imensas.
Como escuros morcegos
como negros abutres,
as palavras voam.

Oh! alto e baixo
em círculos e retas
acima de nós, em redor de nós
as palavras voam.

E às vezes pousam.

(Cecília Meireles)